segunda-feira, 2 de março de 2009

No sul...

... a luz tem um brilho diferente. Tenho a certeza disso e já me confirmaram. Sem qualquer explicação científica, ou de qualquer outra espécie, a luz tem um brilho diferente no sul.
Em memória de celulóide foi essa luz, com brilho diferente, que gravou a lembrança do dia. Daquele dia.

A luz, a tal luz, torna tudo mais cintilante. A areia, o mar, as peles... E o calor, igualmente diferente, abraça com braços de veludo ternos e gentis. Esse calor que emana do outro lado da mesa... as pernas que se tocam cúmplices à sombra do tampo metálico.
A vontade, o desejo, o impulso! Tudo deixa de existir menos a luz de brilho diferente que, vos garanto, só existe no sul.

No velho apartamento, de móveis pesados e pós residentes, a luz - a tal luz - entra pelo vidro da marquise dando às paredes brancas e ao castanho das madeiras tons amarelados de Outono e calor de início de Verão.
No televisor joga-se uma final. Nada importa, é tudo tão longe como outro mundo.

O mundo real é este de luz com brilho diferente que cintila na beleza escondida de cada objecto.
O mundo real é este abraço de conforto, descoberta e paz.
O mundo real tem núcleo de osso, carne e pele.

O mundo real só existiu no sul onde a luz de brilho diferente gravou em memória de celulóide a lembrança de um dia.

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